Sexta-feira, Maio 09, 2008
"A beleza que nós temos ninguém consegue perceber..."
Segunda-feira, Março 03, 2008
Iniciam-se hoje, mais uma vez, as "aulas". E eu que estava tão animada e disposta a estudar até meus tímpanos sairem correndo por las calles, não estou mais. Não por estudar, exactamente. Ando tão amarga com as pessoas e com aquela sensação de não-gosto-de-ninguém-a-não-ser-dos-bichos.
Mas vamos lá... sociabilizar-se, Joana, é preciso.
Quinta-feira, Janeiro 10, 2008
Tudo de novo.
Um espasmo fizera cair todas as moedas que contava em vão. As mãos trêmulas, os dedos magros e gelados e um forte cheiro de tabaco. Aquela estação já era paisagem do quadro de sua rotina.
Começava a contar e via pernas passando: jeans, saia, chinelo, calça social, bermuda, me acende esse cigarro? E lá se foram as moedas novamente.
Sexta-feira, Dezembro 28, 2007
Interessante...
estou cansada. mesmo.
a literaturice dos meus dias, esvai-se assim. e eu nada. como flor de pouca vida.
Sábado, Novembro 24, 2007
Ah, se coubesse em minhas palavras o mundo...
se fosse capaz de dizer as flores e as luzes e o vento
se coubesse em minhas palavras o tempo
diria em versos tudo que não quero esquecer.
Quarta-feira, Abril 04, 2007
"o medo é a moda desta triste temporada...
Jorge, tá tudo assim, nem sei... tá tão estranho...
a cor dessa estação é cinza como o céu de estanho."
Quarta-feira, Fevereiro 28, 2007
Não pense que é tão fácil assim se afogar. Posso, ainda, flutuar pela superfície, serenamente. Serenamente. E sentir arder o sol, enquanto penso que estás pra sempre comigo.
Sexta-feira, Dezembro 22, 2006
CHORAVA
Chorava.
E chorava mais por ver o mundo assim, pelas lágrimas. Sentia medo e pensava que talvez não houvesse uma razão para viver. Mas havia, do outro lado da linha.
Desligou o telefone e caiu.
Segunda-feira, Novembro 13, 2006
VÊ COMO AS COISAS SÃO, LISA.
Vê como as coisas são, Lisa. Minha tinta já escorreu e ressecou. Ah, Lisa, me perdoa, meu vermelho te arruinou. O salto com que andava quebrou e não me deste a mão, Lisa. Vê como as coisas são...
Quarta-feira, Agosto 23, 2006
VAMOS SENTAR NA BEIRA DA ESTRADA
Venha, amigo, vamos sentar na beira da estrada
testemunhar as margaridas,
esquecendo a nostalgia do que ficou atrás
Venha, amigo, vamos olhar pra baixo
Pro chão que pisamos agora
Onde nascerá a mais bela das flores da nossa vida
Venha, amigo, mas não vamos nos demorar
Vamos ler um poema e brincar
Vou te contar uma história boba qualquer
Só pra ver o seu rosto assim,
com o sorriso lindo que esconde seu olhar
E depois de tudo, vamos nos levantar
E com a certeza do enlace das nossas mãos
vamos, sem medo, continuar a andar
Já que ontem descobrimos
que a beleza não está no cume,
mas no caminho que estamos a trilhar...
Terça-feira, Agosto 15, 2006
UM MINUTO ANTES
Olhava dentro dos olhos, bem fundo, como quem busca alma ou coisa assim, enquanto o sangue jorrava feito rio, olhava. E eu assim, meio parada, olhando também. Nem sangue, nem rio. Só silêncio: é a morte chegando.
Quarta-feira, Julho 26, 2006
"O que ocorre exatamente, você está erguendo ou demolindo um ideal?", talvez me perguntem... Mas nunca se perguntaram realmente a si mesmos quanto custou nesse mundo a construção de cada ideal? Quanta realidade teve de ser denegrida e negada, quanta mentira teve de ser santificada, quanta consciência transtornada, quanto "Deus" sacrificado? Para se erigir um santuário, é preciso antes destruir um santuário: esta é a lei - mostrem-me um caso em que ela não foi cumprida!... [...] Já por tempo demais o homem considerou suas propensões naturais com "olhar ruim", de tal modo que elas nele se irmanaram com a "má consciência". Uma tentativa inversa é em si possível - mas quem é forte o bastante para isso? [...] Para aquele fim seria preciso uma outra espécie de espíritos fortalecidos por guerras e vitórias, para os quais a conquista, o perigo e a dor se tornaram até mesmo necessidade; [...] Algum dia, porém, num tempo mais forte do que esse presente murcho, inseguro de si mesmo, ele virá, o homem redentor, o homem do grande amor e do grande desprezo [...] Esse homem do futuro, que nos salvará não só do ideal vigente, como daquilo que dele forçosamente nasceria, do grande nojo, da vontade de nada, do niilismo [...] esse anticristão e antiniilista, esse vencedor de Deus e do nada - ele tem que vir um dia..." - Nietzsche, em Genealogia da Moral.
Enquanto vocês lêem isso, eu estou aqui, sentadinha na minha cadeira, esperando.
Sábado, Julho 15, 2006
NATUREZA MORTA
O estar dos objetos começava a me encantar. Aqueles tapetes escuros e empoeirados tão cheios de si eram tais como mares soberanos e arrogantes. Aqueles móveis tão previsivelmente geométricos como linhas de horizonte. Tantos horizontes. E o pôr-do-sol, claro. Aquela maçã velha jogada na mesa de centro, entre um vaso de flores falsas e opacas e um cinzeiro soltando nuvens de fumaça, atuava como o próprio. Era clara, amarelada e eu acompanhei: escureceu-se, morrendo. Fazia como o sol, tinha seu espetáculo e seu morrer. A sucessividade dos tons era fascinante, de fato, era um após o outro. No após, imperceptível fronteira, como o infinito que há entre um e dois. Observando a maçã que morria tal qual o sol, começava a perceber que o laranja é, na verdade, minha cor preferida. Sem deixar de ser amarelo, anuncia o vermelho e não é nenhum dos dois. O laranja é uma possibilidade. E é possível que eu também o seja. Mas deixei minha paisagem e meus pensamentos melancólicos por uns instantes e fui fechar a janela, a água da chuva no porta-retrato te molhava. Do lado de fora chovia e dentro eu me sentava ansiosa na poltrona, esperando a lua que se apressava para, entrando pela porta, me anoitecer de vez.
Quinta-feira, Julho 13, 2006
VÊ, LISA
Vê a tinta que escorre, Lisa. Vê que não se contém na parede e vai se espalhando, descendo, buscando existir mais. Faz ela parar, Lisa, faz ela voltar atrás. Tu mandas nela que sei. Tu mandas em tudo o que escorre, em tudo que é fluido. Porque tu mesma, Lisa, tu mesma és pedra e sabes bem. Tu nada tens de sangue. Nada em ti escorre como tinta vermelha, Lisa.
Segunda-feira, Julho 10, 2006
SUA AUSÊNCIA
Sua ausência era assim. Quase batia no teto do meu quarto, que estava cheio cheio. Eu ficava indo à superfície pra pegar um ar e, por vezes, perdia a consciência, afogada. A porta estava fechada, mas por baixo saía a sua ausência e não ouso dizer que não gostava assim. Espalhava-se pela casa, ficava rasa a sua ausência e dava até pra respirar, ainda que fosse chato andar de um lado para o outro com ela pela cintura. Cansava. Então eu dormia, achava que quando acordasse você estaria deitado ali do meu lado... e o chão só um pouco escorregadio.